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Antologia de Clássicos da Seresta - letras

A pequenina cruz do teu rosário
A última estrofe
A voz do violão
Algum dia te direi
As Pastorinhas
Ave Maria no morro
Beijinho doce
Carinhoso
Chão de estrelas
Chuá, chuá
Chuvas de verão
É doce morrer no mar
Eu sonhei que tu estavas tão linda
Guacira
Luar de Paquetá
Luar do sertão
Malandrinha
Maringá
Menino-passarinho
Nanci
Neste mesmo lugar
Noite cheia de estrelas
O destino desfolhou
Ontem ao luar
Piracicaba
Pisando corações   -  (versão cifrada)
Serra da Boa Esperança
Sertaneja
Tardes de Lindóia
Última estrofe
Última inspiração
Velho realejo

 
Pisando corações

Quando eu te vi naquela noite enluarada
Minha impressão era que fosses uma fada,
fugida do teu reinado,
vinda de um mundo encantado.
Agora vi que a hipocrisia é um sortilégio
que afivelas como máscara ao teu rosto
e que o teu sorriso encantador
é taça de veneno
em formato de flor.

Tu passaste a vida a sorrir
pisando corações, indiferente a rir.
Agora voltarás e então hás de sofrer
Por tudo que fizeste os outros padecer.

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Ontem ao luar

Ontem ao luar, nós dois em plena solidão (ou numa conversação)
Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão
Nada respondi, calmo assim fiquei,
mas fitando o azul do azul do céu a lua azul
eu te mostrei; mostrando a ti, dos olhos meus
 correr senti uma nívea lágrima e assim te respondi;
fiquei a cismar, por ter o prazer
de ver a lágrima nos olhos a sofrer.

Se tu desejas saber o que é o amor
e sentir o seu sabor;
o amaríssimo sabor do seu dulçor,
Sobe o monte à beira-mar, ao luar,
ouve a onda sobre a areia a lacrimar.
Ouve o silêncio a falar da solidão
de um calado coração
a sonhar e a derramar o pranto seu.
Ouve o coro perenal, a dor silente, universal,
que é a dor maior, que é a dor de Deus.
Se tu queres mais saber a fonte dos meus ais,
Põe o ouvido aqui, na rósea flor do coração
Ouve a inquietação da merencória pulsação, 
Busca saber qual a razão por que ele vive assim
Tão triste a suspirar e a palpitar em uma desesperação,
A teimar de amar a um insensível coração,
Que a ninguém dirá no peito ingrato
Onde ele está, mas que ao sepulcro
Fatalmente o levará.


O destino desfolhou

O nosso amor traduzia felicidade e afeição;
suprema glória que um dia tive al alcance da mão;
mas veio um dia o ciúme e o nosso amor se acabou,
deixando em tudo o perfume, da saudade que ficou.

Eu te vi, a chorar, vi teu pranto em segredo correr
e parti a cantar, sem pensar que doía esquecer.
Mas depois, veio a dor,
sofro tanto e esta valsa não diz,
meu amor, de nós dois,
eu não sei qual é mais infeliz.

O nossos olhos choraram, o nosso idílio morreu,
os nossos lábios murcharam, porque a renúncia doeu,
desfeito o ninho a saudade humilde e quieta ficou,
mostrando a felicidade que o destino desfolhou.



 

Noite cheia de estrelas

Noite alta, céu risonho, a quietude é quase um sonho
o luar cai sobre a mata qual uma chuva de prata
de raríssimo esplendor.
Só tu dormes, não escutas o teu cantor,
revelando à lua airosa a história dolorosa desse amor.

Lua, manda tua luz prateada despertar a minha amada,
quero matar meus desejos, sufocá-la com meus beijos.
Canto e a mulher que eu amo tanto
não me escuta, está dormindo.
Canto e por fim nem a lua tem pena de mim,
Pois ao ver que quem te chama sou eu
entre a neblina se escondeu.

Lá no alto a lua altiva está no céu tão pensativa
As estrelas tão serenas, qual dilúvio de falenas
cantam todas ao luar.
Todo o astral ficou silente para escutar
o seu nome entre as endeixas
e as dolorosas queixas ao luar.


Serra da Boa Esperança

Serra da Boa Esperança, esperança que encerra
No coração do BRasil um punhado de terra;
No coração de quem vai, no coração de quem vem,
Serra da Boa Esperança, meu último bem.
Parto levando saudades, saudades deixando,
murchas caídas na serra, lá perto de Deus.
Ó  minha serra, eis a hora do adeus, vou-me embora,
levo a luz do olhar no teu luar, adeus.

Levo na minha cantiga a imagem da serra,
Sei que Jesus não castiga um poeta que erra.
Nós, poetas, erramos, porque rimamos também
Os nossos olhos nos olhos de alguém que não vem.
Serra da Boa Esperança, não tenha receio,
Hei de guardar tua imagem lá perto de Deus.
Ó minha serra, eis a hora do adeus, vou-me embora,
levo a luz do olhar no teu luar, adeus.


Última inspiração

(valsa de Peterpan - 1940)

Eu sempre fui feliz, vivendo só sem ter amor,
Mas o destino quis roubar-me a paz de sonhador,
E pôs no sonho meu um olhar de ternura,
De alguém que, mesmo em sonho,
roubou minha ventura.
Sonhei com este alguém noites e noites sem cessar,
Por fim, alucinado, fui pelo mundo a procurar,
Aquele olhar tristonho da cor do luar,
Mas tudo foi um sonho, pois não pude alcançar.
Mas na espinhosa estrada desta vida, sem querer, um dia,
Encontrei com este alguém que tanto eu queria
E este alguém que, mesmo em sonho,
e amei com tanto ardor não compreendeu a minha dor.
Foi inspirado então na ingratidão de quem amava tanto
que fiz esta triste valsa, triste como o pranto
que me mata de aflição,
bem sei que esta valsa será
a minha última inspiração.



A voz do violão

Não queiras, meu amor, saber da mágoa,
que sinto quando a relembrar-te estou,
atestam-te os meus olhos rasos d'água,
a dor que a tua ausência me causou.

Saudades infinitas me devoram,
lembranças do teu vulto que nem sei,
meus olhos incessantemente choram
as horas de prazer que já gozei.

Porém, neste abandono interminável,
no anseio de tão negra solidão,
eu tenho um companheiro inseparável,
na voz do meu plangente violão.



 

Velho realejo

Naquele bairro afastado,
onde em criança eu vivia
A remoer melodias,
de uma ternura sem par
Passava todas as tardes
um realejo risonho
Passava como num sonho,
um realejo a cantar.

Depois, tu partiste,
ficou triste a rua deserta,
Na tarde fria e calma
ouço ainda um realejo tocar
Ficou a saudade comigo a morar
Tu cantas alegre
e o realejo parece que chora
com pena de ti.


Guacira

Adeus, Guacira, meu pedacinho de terra,
Meu pé de serra que nem Deus sabe onde está.
Adeus, Guacira, onde a lua pequenina
Não encontra na colina
nem um lago pra se oiá.
Eu vou me embora, mas eu volto noutro dia
Virgem Maria também há de me ajudar.
E se ela não quiser, eu vou morrer cheio de fé,
pensando em ti.


Tardes de Lindóia

Tardes silenciosas de Lindóia,
Quando o sol morre, tristonho.
Tardes em que toda a natureza
Veste-se de um véu de sonho.
Baixos arvoredos, murmurantes,
Da tênue brisa a soprar
Anjinho dos sonhos meus
Não sabes tu como é
Sublime contigo sonhar.
Longe, lá no horizonte calmo,
As nuvens se incendeiam,
Num incêndio de luz.
Vibram se exaltas minh'alma
Na sensação que a seduz
Um plangente sino toca
Chamando à prece todos
Os que ainda sabem crer.
Então te sonho e creio
Beijar tua linda boca
Para acalmar o meu sofrer.



Ave Maria no morro 

Barracão de zinco, sem telhado,
Sem pintura, lá no morro,
barracão é bangalô.
Lá não existe felicidade de arranha-céu,
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu.
Tem alvorada, tem passarada, alvorecer,
Sinfonias de pardais anunciando o anoitecer.
E o morro inteiro, no fim do dia,
Reza uma prece, Ave Maria,
E o morro inteiro, no fim do dia,
Reza uma prece, Ave Maria.
Ave Maria, Ave Maria,
E quando o morro escurece
Eleva a Deus uma prece,
Ave Maria.



Pastorinhas 

A estrela d'alva no céu desponta
E a lua anda tonta com tamanho esplendor
E as pastorinhas pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor.
Linda pastora, morena da cor de madalena.
Tu não tens pensa de mim 
que vivo tonto com o teu olhar.
Linda criança, tu não me sais da lembrança, 
Meu coração não de cansa
De sempre, sempre te amar.



Beijinho doce

Que beijinho doce que ele tem
Depois que beijei ele
Nunca mais amei ninguém.
Que beijinho doce
Foi ele quem trouxe
De longe pra mim.
Que me abraça apertado,
Suspira dobrado, que amor sem fim.
Coração quem manda
Quando a gente ama
Se estou junto dele
Sem dar um beijinho
Coração reclama.
Que beijinho doce
Foi ele quem trouxe
De longe pra mim.
Que me abraça apertado,
Suspira dobrado, que amor sem fim.


Sertaneja

Sertaneja, se eu pudesse,
se Papai do céu me desse
O espaço pra voar.
Eu corria a natureza,
Acabava com a tristeza,
Só pra não te ver chorar.
Na ilusão desse poema,
Eu roubava um diadema
Lá do cé pra te ofertar.
E onde a fonte rumoreja
Eu ergui a tua igreja
E dentro dela o teu altar.
Sertaneja, por que choras quando eu canto?
Sertaneja, se este canto é todo teu.
Sertaneja, pra secar os teus olhinhos
Vai ouvir os passarinhos
Que cantam mais do que eu.
A tristeza do meu canto
É mais triste quando eu canto
A canção que eu te escrevi.
E os meus olhos neste instante
Brilham mais que a mais brilhante
Das estrelas que eu já vi.
Sertaneja eu vou me embora
A saudade vem agora,
A alegria vem depois.
Vou subir por entre as serras
Construir lá noutras terras
Um ranchinho pra nós dois.



Neste mesmo lugar

Aqui, neste mesmo lugar,
Neste mesmo lugar de nós dois,
Jamais poderia pensar que voltasse
Sozinha depois.
O mesmo garçon se aproxima, 
Parece que nada mudou,
Porém qualquer coisa não rima
Com o tempo feliz que passou.
Por uma ironia cruel
Alguém começou a cantar
Um samba-canção de Noel
Que viu nosso amor começar.
Só falta agora a porta se abrir
E ele ao lado de outra chegar
E por mim passar sem olhar.
Só falta agora a porta se abrir
E ele ao lado de outra chegar
E por mim passar.


Piracicaba

Numa saudade que punge e mata
Que sorte ingrata longe de ti
Em um suspiro, triste, sem termo,
Vivo no ermo, des’que parti.

Piracicaba, que eu adoro tanto,
Cheia de flores, cheia de encantos,
Ninguém compreende a grande dor que sente
Um filho ausente a suspirar por ti.

Em outras plagas, de que vale a sorte,
Prefiro a morte junto de ti.
Adoro os prados, os horizontes, 
A serra e os montes onde nasci.



A última estrofe

                          Cândido das Neves

A noite estava assim, enluarada,
Quando a voz já bem cansada
Eu ouvi de um trovador.
Nos versos que vibravam de harmonia
Ele em lágrimas dizia
Da saudade de um amor.
Falava de um beijo apaixonado,
De um amor desesperado
Que tão cedo teve fim.
E desses gritos de tormento,
Eu guardei no pensamento
Uma estrofe que era assim.
Lua, vinha perto a madrugada,
Quando em ânsias minha amada
Nos meus braços desmaiou.
E no beijo do pecado
O seu véu estelejado
A luzir, glorificou.
Lua, hoje eu vivo tão sozinho,
Ao relento, sem carinho,
Na esperança mais atroz
De que cantando em noite linda
Esta ingrata volte ainda
Escutando a minha voz.
A estrofe derradeira e merencória
Revelava toda a história
De um amor que se perdeu.
E a lua, que rondava a natureza,
Solidária com a tristeza,
Entre as nuvens se escondeu.
Cantor, que assim falas à lua,
Minha história é igual à tua, 
Meu amor também fugiu ,
Lhe disse eu também em ais convulsos,
Ele então em entre soluços,
Toda a estrofe repetiu.
Lua, vinha perto a madrugada,
Quando em ânsias minha amada
Nos meus braços desmaiou.
E no beijo do pecado
O seu véu estelejado
A luzir, glorificou.
Lua, hoje eu vivo tão sozinho,
Ao relento, sem carinho,
Na esperança mais atroz
De que cantando em noite linda
Esta ingrata volte ainda
Escutando a minha voz.


Luar de Paquetá
 

Nessas noites olorosas,
Quando o mar desfeito em rosas, 
Se desfolha a lua cheia.
Lembra a ilha um ninho oculto
Onde o amor celebra em culto
Todo o encanto que a rodeia.
Nos canteiros ondulantes
As nereidas incessantes
Abrem lírios ao luar
A água em prece burburinha,
Em redor da capelinha
Vai rezando o verbo amar.
Jardim de afeto, pombal de amores,
Humilde teto de pescadores,
Se a lua brilha
Que bem nos dá
Amar na ilha de Paquetá.
Pensamento de quem ama,
Hoste azul fervendo em chamas
Entre lábios separados,
Pensamento de quem ama,
Leva o meu radiograma 
Ao jardim dos namorados.
Onde é esse paraíso, 
O caminho que idealizo
Na ascensão para esse altar
Paquetá é um céu profundo
Que começa neste mundo
Mas não sabe onde acabar.
Jardim de afeto, pombal de amores,
Humilde teto de pescadores,
Se a lua brilha
Que bem nos dá
Amar na ilha de Paquetá.



Eu sonhei que tu estavas tão linda

Eu sonhei que tu estavas tão linda,
Numa festa de raro esplendor.
Teu vestido de baile, lembro ainda,
Era branco, todo branco, meu amor.
A orquestra tocou umas valsas dolentes, 
Tomei-te aos braços, fomos dançando, ambos silentes,
E os pares que rodeavam entre nós
Diziam coisas, trocavam juras a meia voz.
Violino enchiam o ar de emoções e de desejos
Uma centena de corações.
Pra despertar teu ciúme tentei flertar alguém, 
mas tu não flertaste ninguém.
Olhavas só para mim,
Vitórias de amor cantei,
Mas foi tudo um sonho, acordei.



Menino-passarinho

Quando estou nos braços teus
Sinto o mundo bocejar,
Quando estás nos braços meus,
Sinto a vida descansar,
No calor do seu carinho, 
Sou menino-passarinho
Com vontade de voar,
Sou menino-passarinho
Com vontade de voar.



A pequenina cruz do teu rosário

Agora, que eu não te vejo a meu lado,
A segredar apaixonadas juras,
Busco às vezes do nosso amor de outrora
A recordar nossas íntimas loucuras.
Faz tanto tempo, nem me lembro quando,
A vida é longa e o pensamento é vário.
Tu me mostravas, viu, no idílio santo,
A pequenina cruz do teu rosário.
E sempre que eu a via, recordava,
Do nosso amor a fantasia louca,
Todas as vezes que a pequena cruz beijava,
Eu beijava, febril, a tua boca.
Mas o tempo passou, triste eu segui,
Da minha vida um longo itinerário,
E nunca mais, nunca mais, eu vi
A pequenina, a pequenina cruz do teu rosário.



Sertaneja

Sertaneja, se eu pudesse, se papai do céu me desse,
O espaço pra voar.
Eu corria a natureza, acabava com a tristeza,
Só pra não te ver chorar.
Na ilusão deste poema, eu roubava um diadema,
Lá do céu pra te ofertar.
E onde a fonte murmureja
Eu erguia a tua igreja e dentro dela
O teu altar.
Sertaneja, por que choras quando eu canto?
Sertaneja, se esse canto é todo teu?
Sertaneja, pra secar os teus olhinhos,
Vai ouvir os passarinhos 
Que cantam mais do que eu.
A tristeza do teu pranto
É mais triste quando eu canto
A canção que eu te escrevi.
E os teus olhos, neste instante,
Brilham mais que a mais distante
Das estrelas que eu já vi.
Sertaneja eu vou me embora
A saudade vem agora,
A alegria vem depois.
Vou seguir por essas serras,
Construir lá noutras terras um ranchinho pra nós dois.



Nanci

Busquei ansioso um pensamento
Que pudesse traduzir
O que minh’alma fez por ti
Dentro em meu peito assim sentir
Tudo o que pôde oferecer
A alma que vibrar em mim
É uma canção que idealizei
Para poder cantar assim.
Ouve esta canção 
Que eu fiz
Pensando em ti.
É uma veneração, Nanci.
Somente poderia a musa traduzir,
O nome que é poesia,
Nanci.
É a mais linda história de amor
Que eu conheci.
Quando o teu nome assim eu repetir,
Nanci, Nanci, Nanci.
Ouve esta canção 
Que eu mesmo fiz, pensando em ti.
É uma veneração, Nanci.



Malandrinha

A lua vem surgindo cor de prata, 
no alto da montanha verdejante.
A lira do cantor em serenata,
Reclama na janela a sua amante.
Ao som da melodia, apaixonada,
Das cordas de um sonoro violão,
Confessa o seresteiro a sua amada,
O que dentro lhe dita o coração.

Ó linda imagem de mulher que me seduz,
Ai se eu pudesse, tu estarias num altar.
És a rainha dos meus sonhos, és a luz.
És malandrinha, 
Não precisas trabalhar.

Acorda, minha bela namorada,
A lua nos convida a passear.
Seus raios iluminam toda a estrada
Por onde nós havemos de passar.
A rua está deserta, ó vem, querida, 
Ouvir bem junto a mim o som do pinho,
E quando a madrugada é já surgida,
Os pombos voltarão para seus ninhos.


Algum dia te direi 

  Cristóvão Alencar e Felisberto Martins

Eu tenho um segredo pra te revelar, 
Desde a primeira vez em que te vi,
Mas eu não sei confessar
Tudo o que sinto por ti.
Algum dia eu direi
Que te amor com fervor
E que não sei viver sem teu amor.
Algum dia eu direi
Ao beijar os lábios teus,
Nunca mais tu fugirás
Dos braços meus, meu amor.
Nesse dia me dirás,
Apertando a minha mão,
É teu, amor, só teu, meu coração.



É doce morrer no mar

É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar.
É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar.

Saveiro partiu de noite e foi
Madrugada não voltou.
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou

É doce morrer no mar....

Nas ondas verdes do mar, meu bem.
Ele se foi navegar.
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá.

É doce morrer no mar...


Noite cheia de estrelas

Noite alta, céu risonho, 
A quietude é quase um sonho,
O luar cai sobre a mata, 
Qual uma chuva de prata 
De raríssimo esplendor.
Só tu dormes, não escutas
O teu cantor,
Revelando à lua airosa
A história dolorosa desse amor.
Lua, manda a tua luz prateada
Despertar a minha amada.
Quero matar meus desejos, 
Sufocá-la com meus beijos.
Canto e a mulher que eu amo tanto
Não me escuta, está dormindo.
Canto e por fim
Nem a lua tem pena de mim, 
Pois ao ver que quem te chama sou eu,
Entre a neblina se escondeu.
Lá no alto a lua esquiva
Está no céu tão pensativa,
As estrelas tão serenas,
Qual dilúvio de falenas
Andam tontas ao luar.
Todo o astral ficou silente
Para escutar
O teu nome entre as endeixas
E as dolorosas queixas ao luar.


Fascinação

Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no seu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão um castelo ergui.

O teu corpo é luz, sedução, 
Poema divino cheio de emoção
Teu sorriso prende, inebria, entontece,
És fascinação, amor.



Chuvas de verão
                                   Fernando Lobo

Podemos ser amigos, simplesmente,
Coisas do amor, nunca mais.
Amores do passado, no presente
Repetem velho temas, tão banais.
Ressentimentos passam como o vento
São coisas de momento, são chuvas de verão.
Trazer uma ilusão dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão.

Estranha no meu peito,
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma,
Não te desejo mais.
Podemos ser amigos, simplesmente,
Amigos, simplesmente, nada mais.

 

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